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Psiquiatria na Esclerose Múltipla

Última atualização em Agosto de 2026.


A saúde mental em pessoas com Esclerose Múltipla (EM) é um tema muito relevante e que às vezes acaba ficando de lado.

As doenças psiquiátricas infelizmente podem ser mais comuns na EM e sua presença tem grande impacto na qualidade de vida das pessoas, fadiga e mesmo a aderência ao tratamento.

Por que a Esclerose Múltipla afeta a saúde mental

Nossos pensamentos, sentimentos, emoções e experiências são consequência de intensa atividade de nosso cérebro, assim como a visão, audição e os movimentos.

Todas essas funções têm um órgão em comum: o cérebro. Logo, é de se esperar que uma doença que acometa o cérebro também possa ter impactos em funções que vão além do corpo, podendo também ter impacto na saúde da mente.

No caso específico da Esclerose Múltipla, esse impacto pode ocorrer por mais de um caminho ao mesmo tempo: pela própria inflamação e pelas lesões causadas pela doença em regiões cerebrais relacionadas à regulação do humor, e também, em alguns casos, como efeito colateral de medicações utilizadas no tratamento da EM, como corticoides em pulsoterapia ou alguns imunomoduladores.

Por isso, quando um sintoma psiquiátrico surge, faz parte da avaliação médica considerar também se há relação com a doença de base ou com o tratamento em curso, e não apenas tratá-lo isoladamente.

Ainda, os sintomas de quadros psiquiátricos, quando presentes, podem ser confundidos com sintomas gerais e físicos da EM, como a própria fadiga. Uma avaliação psiquiátrica, nesse contexto, pode ajudar a distinguir entre saúde e doença, e se necessário estabelecer um tratamento.

Principais Transtornos Psiquiátricos associados à Esclerose Múltipla

Dentre as principais doenças psiquiátricas na EM temos a Depressão, Ansiedade, Transtorno Bipolar (TAB) e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

Abaixo vamos falar um pouco de cada uma delas.

Depressão na Esclerose Múltipla

A Depressão é um problema comum. Na população geral a prevalência é de cerca de 20% ao longo da vida, enquanto na EM esse número pode chegar a quase 32%. 

Seus sintomas são principalmente: tristeza a maior parte do tempo, choro imotivado, perda de prazer e do interesse em atividades do dia a dia, fadiga, sentimento de culpa, dificuldades em concentração, pensamentos negativos, sonolência ou mesmo insônia, aumento ou perda de apetite, e até pensamentos de morte. 

Um desafio particular da depressão na EM é justamente a sobreposição de sintomas com a própria doença neurológica: fadiga, alterações de sono e dificuldade de concentração podem ser tanto sintomas físicos da EM quanto sinais de Depressão, o que costuma levar a subdiagnóstico.

Por isso, escalas de rastreamento adaptadas e a atenção a sintomas mais específicos do humor, como perda de interesse generalizada, culpa excessiva ou pensamentos de morte, ajudam a diferenciar melhor os dois quadros.

Nem todos os sintomas estão presentes em uma mesma pessoa, e a intensidade deles também pode variar. Sainda mais sobre a Depressão e o Tratamento da Depressão aqui.

 

Ansiedade na Esclerose Múltipla

A Ansiedade tem uma prevalência ainda maior do que a Depressão. Na população geral os transtornos ansiosos podem chegar a quase 30%, enquanto que em pessoas com EM a 35.6%. 

Ela pode vir em crises ou mesmo ser uma sensação desagradável constante, causa sofrimento significativo e tem um impacto grande na qualidade de vida. 

Pode prejudicar o sono, a memória, se manifestar através de fadiga e até mesmo comprometer o raciocínio. Existem diferentes quadros que chamamos de ansiedade, como por exemplo o Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno do Pânico e Ansiedade Social. Todos eles felizmente têm tratamento.

Saiba mais sobre Transtornos de Ansiedade aqui.

 

Transtorno Bipolar (TAB) na Esclerose Múltipla

Com  uma prevalência de 3.45% na população geral e 5.83% na EM o Transtorno Bipolar  é caracterizado por instabilidade no humor, podendo ter períodos de depressão e de euforia, que varia desde um leve aumento na energia até pensamentos e comportamentos delirantes e grandiosos (como no filme “Mr. Jones”, com Richard Gere). 

O tratamento para o Transtorno Bipolar  corrige essas instabilidades que causam sofrimento e podem trazer riscos.

Saiba mais sobre o Transtorno Bipolar aqui.

 

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) na Esclerose Múltipla

A prevalência de TOC na EM pode chegar a 8.6%, enquanto na população geral é 2.5%

O TOC costuma ter impacto significativo nos pacientes, é um quadro que envolve pensamentos geralmente indesejados (por exemplo de estar com a mão suja), que nós chamamos de obsessões, e comportamentos repetitivos para tentar aliviar esses pensamentos (por exemplo lavar as mãos várias e várias vezes), também chamados de compulsões.

Daí o nome: Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

Tratamento com combinação de medicação e psicoterapia ajudam a controlar bem a doença.

Quando buscar avaliação psiquiátrica

Alguns sinais indicam que vale buscar avaliação psiquiátrica além do acompanhamento neurológico de rotina: humor persistentemente baixo por mais de duas semanas, perda de interesse generalizada nas atividades, ansiedade que interfere na adesão ao tratamento da EM, pensamentos obsessivos que tomam tempo significativo do dia, ou qualquer pensamento de morte ou desesperança.

Nenhum desses sinais deve ser interpretado apenas como "parte natural" de conviver com uma doença crônica, já que todos têm tratamento específico disponível.

O cuidado ideal nesse contexto costuma envolver comunicação próxima entre neurologista e psiquiatra, já que decisões sobre o tratamento da Esclerose Múltipla podem influenciar sintomas psiquiátricos, e vice-versa.

Esse modelo de cuidado integrado tende a trazer resultados mais consistentes do que abordagens isoladas, especialmente em quadros mais complexos ou de longa duração.

Conclusão

Concluindo, os transtornos psiquiátricos estão presentes na Esclerose Múltipla geralmente com uma frequência maior, causam sofrimento significativo e grande impacto na qualidade de vida. 

Muitas vezes os sintomas psiquiátricos podem se confundir com outros sintomas da Esclerose Múltipla, sendo nesse contexto o Psiquiatra o profissional que pode identificar esses problemas com maior acurácia e propor o melhor tratamento quando indicado.

Versão desse texto, de minha autoria, foi publicada no portal "Esclerose Múltipla Brasil", que presta grande serviço de informação às pessoas com EM, o qual tenho o privilégio de ser um colaborador.

 

*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.

 

Sobre o autor:  Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista em Psiquiatria pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da American Psychiatric Association (APA). Atende em consultório privado em São Paulo.

 

Referência

  • Sparaco M, Lavorgna L, Bonavita S. Psychiatric disorders in multiple sclerosis. Journal of Neurology. 2019.
  • Vitor Cavenaghi. Cinco problemas Psiquiátricos mais comuns na Esclerose Múltipla (2020). Esclerose Múltipla Brasil.
  • Boeschoten RE, Braamse AMJ, Beekman ATF, et al. Prevalence of depression and anxiety in Multiple Sclerosis: A systematic review and meta-analysis. Journal of the Neurological Sciences. 2017;372:331-341.
  • Marrie RA, Reingold S, Cohen J, et al. The incidence and prevalence of psychiatric disorders in multiple sclerosis: A systematic review. Multiple Sclerosis Journal. 2015;21(3):305-317.

 

Perguntas frequentes (FAQ)

Depressão na Esclerose Múltipla é diferente da depressão comum?

Os sintomas centrais são semelhantes, mas o diagnóstico pode ser mais difícil, já que sintomas como fadiga e dificuldade de concentração também fazem parte da própria EM.

Por isso, a avaliação psiquiátrica cuidadosa é especialmente importante nesse contexto.

Os sintomas psiquiátricos na EM são causados pela doença ou pelo tratamento?

Podem ter as duas origens. Tanto a inflamação e as lesões causadas pela EM quanto alguns medicamentos usados no tratamento podem influenciar o humor, o que reforça a importância de uma avaliação que considere o quadro como um todo.

Quem trata os sintomas psiquiátricos na Esclerose Múltipla, o neurologista ou o psiquiatra?

O ideal é que os dois profissionais trabalhem de forma integrada. O neurologista conduz o tratamento da EM propriamente dita, enquanto o psiquiatra avalia e trata os sintomas de humor, ansiedade ou outros quadros psiquiátricos associados.

 

Quando procurar ajuda profissional

Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, vale a pena procurar uma avaliação especializada de saúde mental.

A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.

Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.

👉 Informações sobre agendamento podem ser encontradas aqui.

 

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Se deseja compreender melhor sobre Transtornos Psiquiátricos na Esclerose Múltipla, estes artigos podem complementar a leitura.

1 Comentário
  1. avatar
    Marijane
    Gostaria de saber se tem alguma indicação de especialista em esclerose múltipla pra atendimento em Nh Meu esposo está precisando de ajuda

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