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Cetamina e Escetamina no Transtorno Bipolar

Última atualização em Julho de 2026.

 

Em 2024 pude participar da banca de avaliação de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) dos Residentes de Psiquiatria da Secretaria Municipal de São Bernardo do Campo, SP, a convite de  seu coordenador, Dr. Henrique Paiva, que trouxe um tema relevante e atual no tratamento da Depressão Bipolar.

O Trabalho apresentado pelo Dr. Lucas Reifur, intitulado: "Taxa Internacional de Virada Maníaca com uso de Cetamina e Escetamina  no Tratamento da Depressão Bipolar: Uma Revisão Sistemática", trouxe dados bastante significativos a respeito de um possível efeito colateral do tratamento com Cetamina e Escetamina em pacientes com depressão bipolar.

A Cetamina e a Escetamina, inicialmente desenvolvidos como anestésicos, demonstram efeito antidepressivo rápido e robusto, em pacientes com depressão resistente ao tratamento, unipolar e bipolar. Isso levou inclusive à aprovação pelo FDA e Anvisa do tratamento com Escetamina por via intranasal para Depressão Resistente ao Tratamento.

A Escetamina Intranasal é uma opção relativamente recente para o tratamento da Depressão Unipolar, especialmente em pacientes com Depressão Resistente ao Tratamento.

Diferentemente dos Antidepressivos tradicionais, que atuam principalmente sobre os sistemas da Serotonina e da Noradrenalina, a Escetamina exerce seu efeito por meio da modulação do sistema do Glutamato, um importante Neurotransmissor relacionado à plasticidade cerebral.

Um dos possíveis efeitos colaterais no uso na  Depressão Bipolar seria a virada maníaca, ou indução de estados de Mania/ Hipomania pelo tratamento.

Os dados apresentados indicam que esse risco é baixo, de 0 a 6,3%, dependendo da casuística estudada, assim como tenho visto na prática clínica ao longo dos últimos anos, desde a primeira vez que prescrevi a Escetamina, e coimpatível com o que converso com outros colegas.

No entanto, apesar do baixo risco, e aparente boa tolerabilidade, o uso em pacientes com transtorno bipolar permanece off label em nosso país, e sua indicação deve ser feita com base na experiência do médico.

Não faça uso de qualquer medicamento ou substância sem prescrição médica.

 

*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.

 

Sobre o autor:  Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista em Psiquiatria pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e mebro daAmerican Psychiatric Association(APA). Atende em consultório privado em São Paulo.

 

Referências

  • Cavenaghi VB, Costa LP, Lacerda ALT, Hirata ES, Miguel EC, Fraguas R.Subcutaneous Ketamine in Depression: A Systematic Review.Front. Psychiatry. 2021
  • Popova V et al.Efficacy and Safety of Flexibly Dosed Esketamine Nasal Spray Combined with Oral Antidepressant.Am J Psychiatry. 2019.
  • Matildes de Freitas Menezes Sobreiro, Paulo Sergio Panse Silveira, Vitor Breseghello Cavenaghi, Leandro Paulino da Costa, Bruno Pinatti Ferreira de Souza, Rachel Emy Straus Takahashi, Renato Vianna Marotta Starek, José Oliveira Siqueira, Renerio Fraguas. Long-Term Cognitive Outcomes of Esketamine Nasal Spray in Treatment-Resistant Depression: A Preliminary Report.Pharmaceuticals. 2025

 

Quando procurar ajuda profissional

Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, vale a pena procurar uma avaliação especializada de saúde mental.

A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.

Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.

👉 Informações sobre agendamento podem ser encontradas aqui.

 

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