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Escetamina Intranasal: Como Funciona esse Antidepressivo?

Última atualização em Agosto de 2026.

 

A Escetamina Intranasal é uma opção relativamente recente no tratamento da Depressão, especialmente em casos de Depressão Resistente ao Tratamento.

No Brasil, a escetamina intranasal é comercializada sob o nome comercial Spravato ®, sendo essa a apresentação registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponível para uso clínico no país.

Como a Escetamina age no cérebro

Diferente dos Antidepressivos tradicionais, que atuam principalmente na Serotonina e na Noradrenalina, a Escetamina age por várias vias no Sistema Nervoso Central, inclusive no sistema do Glutamato, um importante Neurotransmissor envolvido na plasticidade cerebral.

De forma mais específica, a escetamina atua modulando receptores NMDA do sistema glutamatérgico, o que favorece uma cascata de eventos relacionados à formação de novas conexões neuronais, um mecanismo bastante diferente dos antidepressivos tradicionais, que agem majoritariamente sobre serotonina e noradrenalina.

Esse mecanismo distinto ajuda a explicar por que a escetamina pode agir mais rapidamente, o que tem relevância clínica particular em quadros com risco iminente associado à Depressão, já que parte da evidência científica sobre a medicação foi construída justamente em populações com ideação suicida associada ao quadro depressivo.

Administrada por Via Intranasal, em ambiente controlado, a Escetamina pode apresentar um início de ação mais rápido quando comparada a outras Medicações.

Isso a torna uma alternativa relevante em quadros graves, e na Depressão Resistente.

Quando a Escetamina Intra-Nasal é indicada

Vale esclarecer uma distinção que gera confusão com frequência: a escetamina intranasal é a forma isolada e aprovada especificamente para uso em depressão resistente, com bula e protocolo regulatório definidos, enquanto a escetamina, usada por via subcutânea ou endovenosa em alguns serviços, é uma aplicação ainda considerada off-label no Brasil, embora também estudada cientificamente.

Embora a aprovação regulatória da escetamina intranasal seja específica para depressão resistente no contexto do transtorno depressivo maior, o  uso da escetamina na fase depressiva do transtorno bipolar ainda é considerado off-label, tanto no Brasil quanto internacionalmente, mas vem sendo cada vez mais estudado nesse contexto. 

As diferentes vias de administração da Escetamina compartilham o mesmo mecanismo de ação glutamatérgico, mas seguem vias regulatórias e protocolos de uso diferentes, o que deve ser esclarecido ao paciente na avaliação inicial.

Seu uso, no entanto, é rigorosamente indicado e monitorado por um Psiquiatra, devido a possíveis efeitos como dissociação, aumento transitório da pressão arterial e sedação.

Segurança da Escetamina Intra-Nasal

Na prática, o protocolo de segurança envolve um período de observação de cerca de duas horas após a aplicação, com monitorização da pressão arterial e do estado clínico do paciente antes da liberação.

Esse acompanhamento presencial é parte essencial do tratamento, e não uma formalidade, já que os efeitos de dissociação e alteração de pressão, embora geralmente transitórios, precisam de supervisão médica adequada.

Estudos de segurança de longo prazo, incluindo populações mais vulneráveis, como pacientes idosos, mostraram perfil de segurança consistente com o observado em estudos de curto prazo, o que reforça a viabilidade do uso continuado quando clinicamente indicado.

Esse tipo de dado é particularmente relevante, já que depressão resistente ao tratamento também é comum em pacientes mais velhos, população historicamente menos representada nos estudos iniciais de novas medicações.

Aspecots importantes a se Considerar durante Tratamento com Escetamina

Outro aspecto importante é que a Escetamina não substitui necessariamente outros tratamentos para Depressão, mas frequentemente é utilizada como estratégia complementar dentro de um plano mais amplo, que pode incluir Psicoterapia e outras Medicações.

A escolha por esse tipo de intervenção depende de uma Avaliação Psiquiátrica detalhada, considerando histórico clínico, resposta prévia a tratamentos e perfil de segurança.

Apesar do avanço que representa, é fundamental reforçar que a Escetamina deve ser utilizada apenas com prescrição e acompanhamento especializado.

O uso inadequado pode trazer riscos, e sua indicação deve sempre ser individualizada.

 

*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.

 

Sobre o autor: Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP e International Member da American Psychiatric Association (APA). Atende em consultório privado em São Paulo.

 

Referências:

  • Daly EJ et al. Efficacy of Esketamine Nasal Spray Plus Oral Antidepressant in Treatment-Resistant Depression. JAMA Psychiatry. 2019.
  • Popova V et al. Efficacy and Safety of Flexibly Dosed Esketamine Nasal Spray Combined with Oral Antidepressant. Am J Psychiatry. 2019.
  • Matildes de Freitas Menezes Sobreiro, Paulo Sergio Panse Silveira, Vitor Breseghello Cavenaghi, Leandro Paulino da Costa, Bruno Pinatti Ferreira de Souza, Rachel Emy Straus Takahashi, Renato Vianna Marotta Starek, José Oliveira Siqueira, Renerio Fraguas.  Long-Term Cognitive Outcomes of Esketamine Nasal Spray in Treatment-Resistant Depression: A Preliminary Report. Pharmaceuticals. 2025
  • Cavenaghi VB, Costa LP, Lacerda ALT, Hirata ES, Miguel EC, Fraguas R. Subcutaneous Ketamine in Depression: A Systematic Review. Front. Psychiatry. 2021

 

Perguntas Frequentes (FAQ)

Escetamina e cetamina são a mesma coisa?

Compartilham o mesmo mecanismo de ação, mas não são idênticas: a escetamina intranasal é a forma aprovada especificamente para depressão resistente, com protocolo regulatório definido, enquanto a cetamina racêmica utilizada por outras vias ainda é considerada uso off-label no Brasil.

Spravato é a mesma coisa que escetamina intranasal?

Sim. Spravato é o nome comercial da escetamina intranasal registrado no Brasil, sendo essa a apresentação disponível para uso clínico da medicação no país.

Spravato é vendido em farmácias comuns?

Não. Por exigir aplicação sob supervisão médica e período de observação após o uso, o Spravato é administrado exclusivamente em ambiente clínico controlado, não sendo dispensado para uso domiciliar.

Escetamina pode ser usada na depressão do transtorno bipolar?

Pode, mas esse o uso da Escetamina na Depressão Bipolar ainda é considerado off-label e exige avaliação cuidadosa, sempre em associação com um estabilizador de humor, devido ao risco teórico de precipitar episódios de mania ou hipomania.

A escetamina é segura para pacientes idosos?

Estudos de segurança específicos em pacientes idosos mostraram perfil consistente com o observado em adultos mais jovens, o que dá suporte ao uso nessa população quando clinicamente indicado, sempre com avaliação e acompanhamento individualizados.

Quanto tempo leva para a escetamina fazer efeito?

Diferente dos antidepressivos tradicionais, que costumam levar semanas, a escetamina pode apresentar início de ação mais rápido, o que é parte do que a torna relevante em quadros graves ou com risco associado à Depressão.

 

Quando procurar ajuda profissional

Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, pode ser útil conversar com um profissional de saúde mental.

A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.

Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.

👉 Informações sobre agendamento podem ser encontradas aqui.

 

Leituras relacionadas:

Se deseja compreender melhor sobre Escetamina Intra-Nasal para Depressão, estes artigos podem complementar a leitura.

  1. Guia Completo sobre Depressão de Difícil Tratamento
  2. Efeitos da Escetamina na Cognição
  3. Transtorno Depressivo Recorrente e Como Prevenir Recaídas
  4. Cetamina e Escetamina no Transtorno Bipolar
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