Atletas também adoecem: entender os sinais pode fazer toda a diferença
Um atleta pode continuar treinando, competindo e conquistando resultados, mas, ao mesmo tempo, sentir um vazio persistente, perda de prazer e dificuldade para encontrar motivação.
Esse é um dos desafios da Depressão no Esporte: muitas vezes os sintomas são confundidos com cansaço, queda de rendimento ou excesso de treinamento, retardando o diagnóstico e o tratamento.
A relação entre Saúde Mental no Esporte e desempenho esportivo é mais complexa do que parece. Embora a prática regular de atividade física seja um fator protetor para diversos transtornos psiquiátricos, atletas amadores e profissionais também podem desenvolver Depressão, Ansiedade e até Burnout.
Fatores que contribuem para esse cenário:
- Pressão por resultados,
- Lesões,
- Mudanças de carreira,
- Deslocamentos para competições e treinamentos,
- Patrocínio,
- Exposição pessoal em redes e mídias,
- Autocobrança intensa.
Um aspecto pouco conhecido é que pessoas muito disciplinadas podem demorar mais para perceber que estão deprimidas.
Em vez de abandonar suas responsabilidades, elas frequentemente continuam cumprindo treinos e compromissos, porém às custas de um enorme desgaste emocional. Isso faz com que familiares, treinadores e até o próprio atleta interpretem o problema apenas como "falta de motivação" ou "fase ruim".
Sintomas que apontam para necessidade de avaliação Especializada:
- tristeza persistente,
- irritabilidade,
- perda de interesse,
- alterações do sono,
- dificuldade de concentração,
- queda importante do rendimento.
O tratamento da Depressão no Esporte pode incluir psicoterapia, mudanças na rotina, manejo dos fatores estressores e, quando indicado, tratamento medicamentoso.
Cuidar da Saúde Mental não significa diminuir o desempenho; muitas vezes, é justamente o caminho para recuperá-lo de forma consistente.
*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.
Sobre o autor: Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista em Psiquiatria pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e International Member da American Psychiatric Association (APA). Atende em consultório privado em São Paulo.
Referências
- Reardon CL, et al. Mental Health in Elite Athletes: International Olympic Committee Consensus Statement. Br J Sports Med. 2019.
- Gouttebarge V, et al. Occurrence of Mental Health Symptoms and Disorders in Current and Former Elite Athletes: A Systematic Review and Meta-analysis. Br J Sports Med. 2019.
- American Psychiatric Association. Practice Guideline for the Treatment of Patients With Major Depressive Disorder. 3rd edition. 2010.
Quando procurar ajuda profissional
Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, vale a pena procurar uma avaliação especializada de saúde mental.
A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.
Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.
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