Última atualização em Agosto de 2026.
Os benefícios da atividade física são muitos, boa parte deles já é conhecida, inclusive na prevenção da Depressão e sintomas depressivos.
Estudo recente publicado no JAMA Psychiatry aprofundou essa investigação explorando a associação entre quantidade de atividade física e prevenção de depressão.
Por que a Atividade Física ajuda na prevenção da Depressão?
A relação entre Atividade Física e Depressão vai além da melhora do condicionamento físico.
A prática regular de exercícios promove alterações em diversos sistemas do organismo, incluindo redução de processos inflamatórios, melhora da qualidade do sono, maior regulação do estresse e aumento da liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como endorfinas e outros neurotransmissores.
Na prática clínica, muitas pessoas acreditam que os benefícios do exercício aparecem apenas quando se alcançam treinos intensos ou de longa duração.
Entretanto, estudos mostram que pequenas mudanças de rotina, quando mantidas de forma consistente, já podem trazer benefícios relevantes para a Saúde Mental, especialmente na prevenção de episódios depressivos.
O que Pearce e colaboradores encontraram foi uma redução significativa de risco de depressão em pessoas que faziam ao menos alguma atividade física, mesmo abaixo das recomendações da OMS, de cerca de 18%.
Aqueles que fizeram o equivalente ao mínimo recomendado pela OMS tinham 25% menos risco de desenvolverem depressão.
Para maior quantidade de atividade física parece não haver um ganho adicional em prevenção, e isso ainda merece maiores investigações.
Lembrando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 150-300 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, ou 75-150 minutos de atividade física intensa por semana.
Esses dados indicam que se todos na população fossem minimamente ativos, 1 em 9 casos de Depressão poderiam ser prevenidos. É um número muito significativo.
Qual atividade física é mais indicada para prevenir a Depressão?
Até o momento, não existe uma modalidade única considerada superior para a prevenção da Depressão.
Caminhadas, corrida, musculação, ciclismo, natação e esportes coletivos parecem oferecer benefícios semelhantes quando praticados de maneira regular e adaptados às condições clínicas e preferências de cada pessoa.
A atividade que consegue ser mantida ao longo do tempo costuma produzir resultados mais consistentes do que programas muito intensos que acabam sendo abandonados.
Um aspecto pouco conhecido é que o efeito protetor da Atividade Física parece depender mais da regularidade do que da intensidade.
Isso significa que incorporar movimento à rotina semanal pode ser mais importante do que realizar treinos esporádicos muito exigentes, reforçando que pequenas mudanças sustentáveis frequentemente produzem ganhos relevantes para a saúde física e mental.
Sobretudo que não estamos falando de grandes quantidade de exercícios, nem de grandes intensidade: alguma atividade física já tem um grande impacto quando estamos falando em prevenção de depressão.
*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.
REFERÊNCIAS
- Pearce M, Garcia L, Abbas A, et al. Association Between Physical Activity and Risk of Depression A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry. 2022;79(6):550-559.
- Schuch FB, Vancampfort D, Firth J, et al. Physical Activity and Incident Depression: A Meta-Analysis of Prospective Cohort Studies. American Journal of Psychiatry. 2018. DOI: 10.1176/appi.ajp.2018.17111194
- World Health Organization. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Geneva: World Health Organization; 2020.
Sobre o autor: Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP e International Member da American Psychiatric Association (APA). Atende em consultório privado em São Paulo.
Quando procurar ajuda profissional
Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, pode ser útil conversar com um profissional de saúde mental.
A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.
Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.
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