Última atualização em Julho de 2026.
O Transtorno Bipolar é uma condição caracterizada por oscilações de humor que variam entre episódios depressivos e períodos de elevação do humor, que podem ser caracterizados como a Mania e a Hipomania.
Entre os sinais mais frequentes das fases de Mania e/ou Hipomania está o comportamento de Gastos Excessivos, que pode trazer consequências financeiras, como Dívidas, além de prejuízos familiares e emocionais significativos.
Por que a mania e a hipomania levam a gastos impulsivos
Durante episódios de Mania e/ou Hipomania é comum ocorrer Impulsividade, sensação de energia aumentada, diminuição do julgamento crítico e uma percepção irrealista de possibilidades financeiras.
Nesses momentos, a pessoa pode realizar compras de alto valor, assumir dívidas, investir de forma arriscada ou gastar sem planejamento, muitas vezes sem reconhecer os riscos envolvidos. Muitas vezes essas compras são justificadas pela pessoa com argumentos de grandiosidade, oportunidade e extrema necessidade.
Esse padrão não reflete falta de responsabilidade, mas sim uma alteração do funcionamento mental típica do quadro.
O mecanismo por trás disso envolve alterações no sistema de recompensa cerebral durante a mania e a hipomania, que fazem com que a antecipação de uma compra ou investimento pareça mais gratificante e menos arriscada do que realmente é.
Comportamentos associados ao aumento de Gastos
Do ponto de vista clínico, gastos excessivos são reconhecidos como um dos comportamentos de risco associados aos episódios de elevação do humor, ao lado de outras condutas impulsivas, como decisões profissionais precipitadas ou comportamento sexual de risco.
Os Gastos Excessivos no Transtorno Bipolar costumam ser seguidos por sentimentos de culpa, vergonha e ansiedade, especialmente quando o humor retorna a níveis mais estáveis ou depressivos.
Esse ciclo pode agravar o sofrimento psíquico e dificultar a adesão ao tratamento, além de ter impactos sociais relevantes, atrapalhar relacionamentos e a autonomia financeira.
Lidando com as consequências financeiras
Algumas famílias e pacientes já em tratamento adotam, em conjunto com o psiquiatra, medidas práticas de proteção durante períodos de maior risco, como limitar o acesso a cartões de crédito, estabelecer alertas de gastos ou envolver uma pessoa de confiança na gestão financeira temporária durante episódios de humor elevado.
Essas medidas não substituem o tratamento medicamentoso, mas ajudam a reduzir o impacto prático enquanto o quadro está sendo estabilizado.
Nem sempre os gastos excessivos são reflexo de Transtorno Bipolar, podendo estar presente em outras condições psiquiátricas, como a Oniomania, ou mesmo estarem relacionados a características de personalidade da pessoa, ou mesmo momento de vida.
Caso identificado e diagnosticado por Psiquiatra, o Transtorno Bipolar tem tratamento.
Reconhecer que gastos impulsivos e excessivos podem ser um sintoma, e não uma falha pessoal, é um primeiro passo essencial para o cuidado e a recuperação.
*O conteúdo deste site tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.
Sobre o autor: Dr. Vitor Cavenaghi é médico psiquiatra, especialista em Psiquiatria pela USP, com atuação em Depressão e Transtorno Bipolar. É doutorando em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e mebro da American Psychiatric Association (APA). Atende em consultório privado em São Paulo.
Referência
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 2022.
- Goodwin, Jamison.Manic-Depressive Illness: Bipolar Disorders and Recurrent Depression.
- Yatham LN, et al.The CANMAT and ISBD Guidelines for the Management of Bipolar Disorder.Bipolar Disorders. 2023.
- Richardson T, Jansen M, Fitch C. Financial difficulties in bipolar disorder part 1: a systematic review. Journal of Mental Health. 2018;27(4):286-296.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Gastos excessivos são sempre sinal de transtorno bipolar?
Não. Podem estar presentes em outras condições psiquiátricas ou refletir características pessoais e momentos de vida específicos. A avaliação psiquiátrica é o que ajuda a identificar a causa correta.
Como proteger as finanças durante um episódio de mania?
Medidas práticas, como limitar o acesso a cartões de crédito ou envolver uma pessoa de confiança na gestão financeira temporária, podem ajudar, sempre como complemento ao tratamento medicamentoso e psiquiátrico.
A pessoa se sente culpada pelos gastos feitos durante a mania?
Sim, é comum sentir culpa, vergonha e ansiedade quando o humor se estabiliza e a pessoa percebe a extensão dos gastos realizados durante o episódio. Esse sentimento pode, inclusive, dificultar a busca por ajuda.
Quando procurar ajuda profissional
Se você se identificou com alguns dos sintomas ou dificuldades descritos neste texto, vale a pena procurar uma avaliação especializada de saúde mental.
A avaliação psiquiátrica permite compreender melhor o quadro e discutir possíveis estratégias de tratamento.
Dr. Vitor Cavenaghi atende pacientes em consultório privado em São Paulo.
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